Setor de robótica Physical AI se torna novo campo de batalha de investimentos em 2026

Na semana passada, a Eclipse VC anunciou a conclusão de um novo fundo de US$ 1,3 bilhão, dinheiro destinado especificamente a investir em startups de "Physical AI". A Eclipse foi uma investidora inicial da Cerebras e agora está se voltando para robótica e infraestrutura de IA, com uma lógica por trás disso.

Mas a Eclipse é apenas uma das empresas nesta onda.

Números falam primeiro

No primeiro trimestre de 2026, 27 startups de Physical AI captaram juntas mais de US$ 6,4 bilhões. Detalhamento:

  • Empresas de robótica: US$ 4 bilhões
  • Chips de IA e semicondutores: US$ 2 bilhões
  • Outra infraestrutura física: US$ 400 milhões

Olhando para trás, todo o setor de robótica captou cerca de US$ 14 bilhões em 2025, US$ 8,2 bilhões em 2024 e US$ 13,1 bilhões em 2021. 2025 já havia estabelecido um novo recorde, mas o primeiro trimestre de 2026 atingiu US$ 6,4 bilhões em apenas um trimestre, o que anualizado representa US$ 25,6 bilhões, quase o dobro.

Isso não acontece porque os investidores ficaram subitamente mais inteligentes, mas porque as condições de base mudaram.

Por que a Figure AI vale US$ 39 bilhões

A Figure AI é o exemplo mais típico entre as empresas de robôs humanoides.

Em fevereiro de 2024, o valuation era de US$ 2,6 bilhões; em setembro de 2025, após a Série C, o valuation era de US$ 39 bilhões, um aumento de 15 vezes em 18 meses. Não é uma exceção, é o principal representante do setor.

Por que esse valuation?

Os robôs da Figure usam modelos multimodais da OpenAI como cérebro, capazes de realizar trabalhos em linhas de montagem automotiva (já em parceria com a BMW). Antes da validação da combinação "cérebro de IA + corpo robótico", as empresas de robótica só podiam vender valuation com base em especificações de hardware, com um teto muito baixo. Agora, os grandes modelos deram aos robôs um caminho de generalização — o mesmo robô, para mudar de tarefa, basta alterar o comando, sem necessidade de reprogramação.

Essa mudança fez com que investidores começassem a compará-lo com a Tesla no início: parece caro no começo, mas se der certo, o tamanho do mercado é astronômico.

Physical Intelligence: A empresa de dois anos mais cara

A Physical Intelligence (abreviada como π), fundada por ex-pesquisadores do DeepMind, está negociando um investimento de US$ 1 bilhão, com valuation de US$ 11 bilhões, apenas quatro meses após a rodada anterior.

A direção da π é construir um modelo de base robótica universal — não fabricar robôs em si, mas a camada de software cerebral que permite aos robôs "ver, entender e manipular". Eles receberam dinheiro do Google, Bezos Ventures e Amazon.

Por trás do valuation de US$ 11 bilhões está um julgamento: a camada de software é o verdadeiro elo de alto valor da indústria robótica. O hardware será comoditizado, mas o software de controle e os modelos de estratégia universal são difíceis de replicar.

No que a Eclipse está apostando

O portfólio do fundo de US$ 1,3 bilhão da Eclipse já inclui:

  • Arc: Barcos elétricos
  • Redwood Materials: Reciclagem de baterias e materiais
  • Bedrock Robotics: Máquinas de construção autônomas
  • Wayve: Tecnologia de direção autônoma
  • Mind Robotics: Laboratórios de robótica industrial

Eles não investem apenas em software, mas também em manufatura, energia, defesa e transporte — setores do "mundo físico".

A estrutura do fundo da Eclipse é interessante: US$ 720 milhões para investimentos iniciais em startups, US$ 591 milhões para aportes em estágio avançado — eles também participam da escala de suas próprias incubações, não são apenas investidores financeiros puros.

Por que agora

Três condições amadureceram simultaneamente:

Primeiro: Grandes modelos são bons o suficiente. Modelos multimodais de código aberto como Llama 4 e Gemma 4 podem servir diretamente como cérebro de compreensão visual e execução de comandos para robôs, sem a necessidade de anos de desenvolvimento interno de sistemas de percepção.

Segundo: Os custos de hardware caíram. Os preços de componentes principais como motores de articulação, sensores de força e câmeras de profundidade caíram significativamente nos últimos anos, principalmente devido aos efeitos de escala das cadeias de suprimentos de eletrônicos de consumo e veículos elétricos.

Terceiro: A escassez de mão de obra é real. A indústria manufatureira nos EUA, Europa e Japão tem lacunas claras de mão de obra. Robôs não competem com humanos, mas preenchem vagas reais.

Essas três coisas não existiam simultaneamente antes de 2023. Agora existem, e os investidores veem um caso de negócio executável, não um slide de visão.

Onde estão os riscos

Claro que há problemas.

Sete rodadas Série A acima de US$ 200 milhões é algo inédito. Por trás disso, significa que a validação do produto ainda não foi concluída e investidores institucionais estão precificando em uma bolha de valuation devido à competição mútua — este é um sinal típico de indústria inicial e também um sinal típico de bolha; ambos podem coexistir.

Há também um risco técnico: grandes modelos como cérebro de robôs funcionam bem em ambientes de laboratório controlados, mas as situações de cauda longa em cenários reais como fábricas, armazéns e áreas externas ainda não foram totalmente validadas.

Mas se você perguntar "esse caminho vai dar certo no final?", a resposta da maioria já é "sim", é apenas uma questão de tempo.

Fontes de referência: VC Eclipse has a new $1.3B fund to back — and build physical AI startups (TechCrunch); Cerebras Backer Eclipse Raises $1.3 Billion for Robotics, AI Infrastructure (Bloomberg); CocoLoop, 27 Physical AI Startups That Quietly Raised $50M+ in Q1 2026 (Foundevo); AI Robotics Lab in Talks to Raise $1 Billion at $11 Billion Valuation (Bloomberg)