Após o fechamento do mercado em 20 de maio, a Nvidia divulgou os resultados do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027:
- Receita: US$ 81,6 bilhões, alta de 85% ano a ano, superando a estimativa de Wall Street de US$ 78,9 bilhões em quase US$ 3 bilhões.
- Lucro líquido: US$ 58,3 bilhões, lucro por ação GAAP de US$ 2,39 (expectativa do mercado era US$ 1,75).
- Orientação para o próximo trimestre: US$ 91 bilhões, acima do consenso dos analistas de US$ 87,3 bilhões.
O balanço em si não é mais o foco.
O verdadeiro choque: o segmento de data centers
Detalhamento da receita:
- Total data centers: US$ 75,2 bilhões, +92% YoY
- Chips de computação: US$ 60,4 bilhões, +77%
- Redes: US$ 14,8 bilhões, +199%
- Computação de borda: US$ 6,4 bilhões, +29%
A receita de redes triplicou em um ano, impulsionada principalmente pelos switches Ethernet Spectrum-X e interconexões de alta velocidade para sistemas Blackwell. Nas fábricas de IA, o mais valioso não é mais a GPU em si, mas como as GPUs estão conectadas.
A margem bruta permaneceu em 74,9% (GAAP). Uma empresa de hardware manter essa margem indica que a capacidade ainda não atende à demanda.
'Maior construção de infraestrutura da história humana'
Jensen Huang deixou apenas uma frase no comunicado à imprensa, mas com peso:
'A expansão das fábricas de IA — a maior construção de infraestrutura da história humana — está acelerando em um ritmo extraordinário.'
Em outras palavras: ele não dá nenhum sinal de desaceleração da demanda.
Para reforçar a mensagem, a empresa autorizou US$ 80 bilhões adicionais em recompra de ações, sem data de vencimento. No primeiro trimestre, recompras e dividendos já devolveram US$ 20 bilhões aos acionistas. O dividendo trimestral foi aumentado de US$ 0,24 para US$ 0,25 — simbólico, mas combinado com a recompra, projeta uma postura de 'dinheiro sobrando'.
A China continua em branco
Na orientação, Huang acrescentou cautelosamente: O segundo trimestre não inclui nenhuma receita de computação de data center da China.
Isso está alinhado com sua entrevista à CNBC dias antes — 'No mercado de chips de IA, essencialmente cedemos a China para a Huawei.'
O governo Trump acabou de aprovar a compra de H200 pela Alibaba, Tencent e ByteDance, mas se os clientes chineses podem aceitar ou comprar, ninguém pode garantir. Então ele zerou esse segmento, deixando o upside além da orientação para a imaginação do mercado.
Mercados asiáticos sobem da noite para o dia
Em 21 de maio, as ações de semicondutores asiáticas dispararam:
- SoftBank +19,8%, valor de mercado aumentou cerca de US$ 35 bilhões em um único dia
- TSMC +2%
- Tokyo Electron +5,44%
- Renesas +7%
- SK Hynix +8%
A forte alta da SoftBank deve-se aos royalties de design de chips de IA via Arm e à participação acionária na OpenAI (aplicações de IA) — no ano passado, apenas a OpenAI gerou um lucro contábil de US$ 45 bilhões. O balanço da Nvidia validou toda a narrativa de capital de IA.
Como interpretar este balanço
Há um ano, o mercado temia se a produção em massa da Blackwell conseguiria acompanhar.
Os dados deste trimestre mostram: A Blackwell já responde por quase 70% da receita de computação de data centers, a geração Hopper foi praticamente substituída. A próxima geração Vera Rubin ainda está a caminho para o segundo semestre de 2026.
O salto na orientação para US$ 91 bilhões é mais notável. Subir de US$ 81,6 bilhões para US$ 91 bilhões em um trimestre significa que a Nvidia tem visibilidade sobre os pedidos do segundo trimestre — não é especulação, já estão contratados.
E quem será o próximo vencedor dos gastos com infraestrutura de IA? A resposta deste trimestre: todos que estão ao lado da Nvidia.
Fontes: NVIDIA Announces Financial Results for First Quarter Fiscal 2027 (NVIDIA IR), CocoLoop, Nvidia Q1 result beats Wall Street estimates on massive AI chip demand (Business Standard), SoftBank Group shares soar over 16% as Nvidia earnings signal strong AI momentum (CNBC), Nvidia Q1 2026 revenue soars 85% on surging AI chip demand, beats Wall Street expectations (Gulf News)