Sony e Warner processam a Anthropic e citam dois fundadores

A Sony Music Publishing e a Warner Chappell Music entraram com uma ação no Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia (EUA) em 28 de agosto. Além da empresa Anthropic, os réus incluem o cofundador e CEO Dario Amodei e o cofundador Benjamin Mann, ambos citados individualmente.

A petição inicial classifica o caso como "one of the largest and most blatant ongoing thefts of intellectual property in history" (um dos maiores e mais flagrantes roubos contínuos de propriedade intelectual da história).

Quais ações concretas a petição descreve

Os autores listam quatro vias de obtenção de conteúdo. Em junho de 2021, Mann teria baixado mais de 5 milhões de livros piratas via BitTorrent; em julho de 2022, funcionários da Anthropic teriam baixado mais de 2 milhões de livros adicionais do Pirate Library Mirror. A segunda via é a raspagem de conteúdo de sites de letras licenciados, como MusixMatch e LyricFind. A terceira via é a "digitalização destrutiva" de livros físicos usados. A quarta via é o uso dos conjuntos de dados públicos Common Crawl, The Pile e Books3.

As obras supostamente infringidas são descritas como "dezenas de milhares"; a petição cita nominalmente Ain't No Mountain High Enough, All I Want for Christmas is You, Eye of the Tiger, Livin' On a Prayer, Hallelujah, Uptown Funk, além de Paper Rings, de Taylor Swift.

Mais contundentes são as comunicações internas citadas. Mann teria descrito a Library Genesis como "sketchy AF" (suspeita ao extremo); a equipe interna Archive Team da Anthropic teria classificado as operações como "blatant copyright violation" (violação flagrante de direitos autorais); um documento de planejamento de 2024 diz: "We don't want it to be known that we are working on this" (não queremos que se saiba que estamos trabalhando nisso). Esses materiais vêm de documentos desselados do processo movido por autores, Bartz v. Anthropic, no qual a juíza descreveu a conduta da Anthropic como "straightforward piracy but at massive scale" (pirataria pura e simples, mas em escala massiva).

Quatro fundamentos e o cálculo de indenização

A petição apresenta quatro fundamentos: violação direta por meio dos downloads via torrent, que atinge os três réus; violação contributiva pela mesma conduta, restrita a Amodei e Mann; violação direta cometida exclusivamente pela Anthropic; e remoção ou alteração de informações de gestão de direitos autorais (CMI).

Os danos previstos em lei chegam a até 150 mil dólares por obra infringida de forma deliberada, e até 25 mil dólares por violação de CMI. Numa conta aproximada com 20 mil obras para representar as "dezenas de milhares", só o primeiro fundamento já alcançaria uma exposição teórica na casa dos 3 bilhões de dólares — os autores pedem julgamento por júri, a destruição das cópias infratoras e a divulgação da composição dos dados de treinamento do Claude.

Há ainda uma acusação separada voltada à saída do modelo: as barreiras de proteção do Claude seriam "easily circumventable by simply 're-prompting'" (facilmente contornáveis bastando reformular o pedido), permitindo que o modelo ainda reproduza letras de música protegidas por direitos autorais na íntegra. Se esse ponto for aceito, a natureza do caso deixaria de ser apenas sobre a origem dos dados de treinamento e passaria a envolver um produto que segue gerando conteúdo infrator.

Cinco processos em sequência

Este é o quinto grande processo por direitos autorais contra a Anthropic. Em outubro de 2023, Universal Music, Concord e ABKCO processaram a empresa por 500 músicas, caso posteriormente transferido para a Califórnia; em janeiro de 2026, os mesmos autores ampliaram o pedido para mais de 20 mil obras, buscando mais de 3 bilhões de dólares em indenização; em março, a BMG entrou com ação semelhante por 493 obras; em 17 de agosto, a Round Hill Music processou a empresa pedindo até 1 bilhão de dólares; 11 dias depois, foi a vez da Sony e da Warner.

O ponto de referência é o acordo de 1,5 bilhão de dólares fechado com autores em setembro de 2025. Um dos escritórios que representam os autores, Oppenheim + Zebrak, também conduz o processo paralelo movido por Concord/UMG; a frase da petição "Anthropic clearly considers that to be just the cost of doing business" (a Anthropic claramente considera isso apenas um custo de fazer negócios) mira exatamente essa estratégia de fechar acordo e seguir em frente.

Com as três grandes editoras musicais já tendo processado a empresa, o espaço para um acordo isolado ficou mais estreito. Segundo avaliações públicas, a Anthropic está atualmente na faixa de 2 trilhões de dólares, com capacidade de pagamento suficiente; o mais difícil de administrar são os dois pedidos ligados à responsabilização pessoal dos fundadores e à divulgação dos dados de treinamento — se levados adiante, o que fica exposto vai além do dinheiro.

Fontes: texto da petição, Music Business Worldwide, The Decoder, CocoLoop; a lista de réus, os quatro fundamentos, os tetos de indenização prevista em lei e a ordem cronológica dos cinco processos foram conferidos com base na petição e nas reportagens; a exposição financeira é uma estimativa aproximada da redação a partir de números públicos.