O ex-co-CEO do Salesforce Bret Taylor declarou na semana passada: a era dos cliques acabou.
Ele não está apenas falando de um conceito – ele tem uma empresa chamada Sierra, que atingiu receita anual de US$ 100 milhões em dois anos e valuation de US$ 10 bilhões, para respaldar essa afirmação.
O que a Sierra faz?
A Sierra desenvolve agentes de atendimento ao cliente baseados em IA para empresas. Você pode entender assim: empresas pagam por uma IA que realmente resolve problemas dos usuários, não um robô de FAQ que responde fora do contexto, mas uma IA que consulta faturas, altera pedidos, faz reembolsos, atualiza endereços – que realmente ajuda os usuários a resolver as coisas.
A lista de clientes abrange dois círculos bem distintos: no lado da tecnologia, Deliveroo, Discord, Ramp, Rivian, SoFi, Tubi; no lado das empresas tradicionais, ADT (segurança residencial inteligente), Bissell (aspiradores), Vans (tênis), Cigna (plano de saúde), SiriusXM (rádio via satélite).
Essa estrutura de clientes por si só mostra uma coisa: agentes de atendimento ao cliente com IA não são apenas brinquedos de empresas de tecnologia – empresas tradicionais também começaram a comprar seriamente.
Ghostwriter: o agente que cria agentes
O produto principal lançado pela Sierra desta vez é o Ghostwriter, uma plataforma de meta-agentes – um agente usado para criar outros agentes.
A lógica é a seguinte: antes, para implantar um agente de IA, as empresas precisavam de engenheiros para configurar processos, projetar interfaces e definir regras de acionamento. O Ghostwriter tenta transformar todo esse processo em linguagem natural: você apenas descreve que tipo de agente deseja, e ele gera, configura e implanta automaticamente.
A Sierra chama esse modelo de "agent as a service". Você não está comprando uma ferramenta de software, mas uma capacidade – a capacidade de gerar agentes que podem trabalhar em tempo real de acordo com suas necessidades de negócio.
Um exemplo concreto: o Ghostwriter ajudou a Nordstrom a implantar um agente de atendimento completo em quatro semanas. Quatro semanas, não quatro meses.
O que significa o fim da era dos cliques?
Quando Taylor diz "era of clicking buttons is over", por trás disso há uma avaliação sobre o paradigma de interação com software.
Nas últimas décadas, a forma de usar software era: você abre uma interface, encontra a ação desejada em um labirinto de botões, formulários e menus, clica e espera o resultado. Esse modelo orientado por interface, da era desktop à era móvel, praticamente não mudou em essência.
A Sierra aposta que: descrever a intenção em linguagem natural, com a IA executando as ações específicas – esse modelo substituirá a maioria das interações de interface.
Não é "você diz à IA o que quer fazer, a IA dá uma solução, e você clica novamente", mas sim "você diz o que quer fazer, e a coisa é feita diretamente".
Começar pelo atendimento ao cliente tem sua lógica estratégica: os processos de atendimento são complexos, repetitivos e cheios de regras – ideais para a IA assumir. Mas a ambição de Taylor claramente não para por aí. O posicionamento do Ghostwriter já ultrapassa o atendimento ao cliente, mirando "todos os fluxos de trabalho baseados em cliques".
O valor de US$ 100 milhões em dois anos
A Sierra é uma empresa que só se tornou pública em fevereiro de 2024, cofundada por Clay Bavor (ex-VP do Google Labs) e Taylor.
Em menos de dois anos:
- Receita anual superior a US$ 100 milhões (dados de novembro de 2025)
- Valuation de US$ 10 bilhões (setembro de 2025, rodada de US$ 350 milhões liderada pela Greenoaks Capital)
Esse ritmo de crescimento é rápido no setor de software empresarial. Comparando com o crescimento da própria Salesforce em seus primeiros anos, a Sierra não está nada lenta.
Taylor naturalmente tem vantagens de recursos – ele não é apenas ex-co-CEO do Salesforce, mas também presidente do conselho da OpenAI. Quanto esse histórico ajuda a conquistar grandes clientes corporativos, não precisa de muita explicação.
Nem todo agente é um agente
Por trás do crescimento da Sierra há uma questão pouco discutida: o setor de IA para atendimento ao cliente empresarial já está lotado.
Desde grandes empresas como Salesforce Agentforce, Microsoft Copilot, até dezenas de startups de IA para atendimento – no que a Sierra se baseia?
A resposta de Taylor: a maioria dos chamados "IA de atendimento" são na verdade FAQs avançadas, baseadas em consulta a bases de conhecimento; os agentes da Sierra realmente conseguem executar operações – consultar pedidos, alterar endereços, fazer reembolsos – isso exige integração real com os sistemas de back-end da empresa, não apenas geração de texto.
O Ghostwriter, de certa forma, resolve exatamente esse problema: reduz a barreira técnica de "integrar sistemas de back-end", permitindo que mais empresas implantem rapidamente agentes que realmente fazem coisas, em vez de apenas janelas de chat que sabem responder perguntas.
Se a era dos cliques realmente acaba ou não, não é algo que uma pessoa decide. Mas o fato de a Sierra ter alcançado esse porte em dois anos mostra pelo menos que a direção "deixar a IA executar operações, em vez de apenas dar sugestões" já fez empresas colocarem dinheiro real na mesa.
Fontes de referência: Sierra's Bret Taylor says the era of clicking buttons is over (TechCrunch), CocoLoop, Bret Taylor's Sierra reaches $100M ARR in under two years (TechCrunch), Bret Taylor's Sierra raises $350M at a $10B valuation (TechCrunch)