94% dos líderes de TI temem descontrole dos agentes de IA

A entrada de agentes de IA nas empresas deixou de ser uma discussão ou um piloto restrito.

A OutSystems entrevistou quase 1.900 líderes de TI no mundo entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A conclusão é direta: 96% das empresas já implantaram agentes de IA de alguma forma, e 97% estão criando uma estratégia corporativa para agentes.

Em seguida vem o alerta: 94% dos entrevistados se preocupam que a proliferação de IA esteja aumentando complexidade, dívida técnica e riscos de segurança.

A adoção avança rápido. O controle não acompanha no mesmo ritmo.

O que está se espalhando?

AI sprawl é um termo novo para um problema bastante concreto: o número de agentes de IA dentro das empresas cresce rapidamente, mas a gestão não é unificada.

Os dados mostram essa lacuna:

  • 38% das empresas usam ao mesmo tempo agentes desenvolvidos internamente e agentes de terceiros, misturando dois sistemas difíceis de governar.
  • Apenas 36% têm um modelo centralizado de governança de agentes.
  • Apenas 12% usam uma plataforma unificada para administrar a proliferação de IA.

Os outros 88% convivem, em grande parte, com decisões por equipe, diferenças regionais, registros incompletos de acesso e logs de atividade espalhados. Muitas empresas não conseguem responder rapidamente qual agente acessou qual sistema, com que permissão e que decisão tomou.

Woodson Martin, CEO da OutSystems, afirmou que a passagem de experimentos de IA para resultados de negócio mensuráveis já não é uma possibilidade futura; é a realidade que as empresas enfrentam agora.

A frase parece positiva isoladamente. Lida junto com a preocupação de 94%, ela fica bem menos confortável.

O prazo de agosto

O tema é especialmente urgente neste ano porque o prazo de aplicação da Lei de IA da UE chega em agosto de 2026.

Para empresas que implantam sistemas de IA, algumas exigências são difíceis de contornar:

Artigo 9: é preciso manter gestão de risco contínua e documentada em todas as etapas de implantação. Na prática, cada agente precisa ter uma identidade única, registro de permissões e registro do que está fazendo.

Artigo 13: ao usar sistemas de IA de terceiros, fornecedores devem entregar documentação suficiente para que o usuário entenda a saída do sistema. Dizer que ninguém sabe o que o agente estava fazendo não serve como defesa.

Combinadas, essas regras significam que as empresas precisam:

  • Manter um cadastro de todos os agentes, incluindo quantos rodam, onde rodam e quais permissões possuem.
  • Guardar todos os registros operacionais em armazenamento centralizado e criptografado, não em logs separados de cada plataforma.
  • Revogar o acesso de um agente em poucos segundos quando necessário.
  • Dar a auditores humanos contexto suficiente para entender decisões de agentes, e não apenas uma pontuação de confiança.

O problema é que só 12% das empresas têm hoje uma plataforma unificada para fazer isso.

Cadeias multiagente tornam tudo mais difícil

Um agente isolado ainda pode ser rastreado. O padrão mais difícil é a cadeia de agentes: uma grande tarefa é dividida em dezenas de subtarefas, cada agente executa uma parte, e o resultado volta para aprovação humana.

Nessa arquitetura, auditar uma única ação exige reconstruir a cadeia inteira. Cada etapa precisa ter entradas e saídas registradas. Se algo dá errado, encontrar manualmente o ponto de responsabilidade se torna quase impossível.

É por isso que a lacuna de governança é especialmente perigosa em cenários multiagente.

Diferenças regionais

A pesquisa cobriu várias regiões, com diferenças grandes de maturidade.

RegiãoMaturidade
ÍndiaMais madura, com a maior proporção de implantações em produção
AustráliaTransição de pilotos para produção
JapãoTambém em transição de pilotos para produção
BrasilNível intermediário
Alemanha e Reino UnidoNível intermediário

A liderança da Índia surpreende um pouco, mas faz sentido: um setor de serviços de TI denso, custos menores de engenharia e alta aceitação de novas ferramentas podem acelerar a adoção de agentes.

O que fazer

As recomendações do estudo se resumem a três pontos.

  1. Conte primeiro: quantos agentes estão rodando? Que permissões têm? Se a resposta não está clara, comece por aí.
  2. Centralize os logs: cada ação de cada agente precisa ter um registro rastreável em um só lugar, não uma colagem de logs de plataformas diferentes.
  3. Defina um disjuntor de emergência: se um agente falhar, é possível interrompê-lo em 30 segundos? Se não, esse é o primeiro controle a corrigir.

Agosto ainda está a alguns meses de distância, mas para empresas que administram agentes no modelo de cada equipe por conta própria, esse tempo não é folgado.

Fontes: CocoLoop, Agentic AI Goes Mainstream in the Enterprise, but 94% Raise Concern About Sprawl (OutSystems / Business Wire); Agentic AI's governance challenges under the EU AI Act in 2026 (AI News)